MULHERES INCRÍVEIS DA HISTÓRIA: WANGARI MAATHAI | GS one | Roupas Ecológicas

MULHERES INCRÍVEIS DA HISTÓRIA: WANGARI MAATHAI

09/03/2019

 Wangari Maathai é uma daquelas pessoas, cuja vida e obra impactam de forma extremamente significativa, mudando realidades e desenvolvendo ações que inspiram. Nasceu na área rural de uma pequena vila do Distrito de Nyeri, colônia britânica na época, no Quênia. Pode-se dizer que sua vida foi atípica se comparada com a de outras meninas africanas. Aos 8 anos, ela iniciou seus estudos em um internato católico, onde aprendeu inglês e foi admitida em um colégio católico para meninas aos 16. Sua pretensão após terminar os estudos era ingressar em uma universidade de Uganda. Naquela época, findava o colonialismo na Africa Oriental e os políticos buscavam dar oportunidades para jovens promessas do país e foi através de uma dessas oportunidades que Wangari, ganhou uma das 300 bolsas de estudos concedidas a estudantes africanos nos EUA pelo então senador norte americano John F. Kennedy, assim, se formou em Biologia com especializações em Química e Alemão no Benedictine College, no Kansas. Em 1966 concluiu seu mestrado em Biologia pela universidade de Pittsburgh, indo pela primeira vez em um evento ligado ao meio ambiente. Após, retornou para África onde ingressou como ajudante no Departamento de Anatomia Veterinária da Universidade de Nairobi. Se tornou em 1971 a primeira mulher da África oriental a possuir um doutorado, prosseguindo seus estudos nas universidades alemãs de Giessen e Munique e na Universidade de Nairobi, onde obteve seu PHD em Anatomia e também foi professora e Chefe de Departamento de Anatomia Veterinária e em ambos os casos, fora a primeira mulher a ocupar o cargo na região.

Desde que iniciou sua vida acadêmica, Matthai esteve em contato com o ativismo, se engajando em movimentos sociais e ambientais. Lutou através da Associação de Mulheres Universitárias e lá ampliou sua visão sobre ativismo. Em 1976, quando já era membra ativa do Conselho Nacional de Mulheres do Quênia, introduziu a ideia de plantio de árvores baseado na comunidade. Wangari cresceu vendo o desmatamento que dava lugar a lavouras comerciais e a biodiversidade do Quênia fora reduzida em boa parte por conta disso, tornando o país muito seco e com temperaturas elevadas. Ela viu em um grupo de mulheres uma oportunidade de reverter esse quadro e iniciou uma campanha de reeducação ambiental e aos poucos ela as conquistou, demostrando como o plantio de árvores poderia melhorar a qualidade de vida de todos da comunidade, gerando empregos, alimentos, melhorias no solo e a possibilidade de manter uma reserva de água e em 1977, nascia ali o movimento conhecido como Cinturão Verde (Green Belt Movement). Promover e proteger a biodiversidade africana através de iniciativas sociais que reduzissem a pobreza e gerassem empregos enaltecendo o papel da mulher dentro da sociedade, principalmente nas áreas rurais eram os principais objetivos do movimento, que em 1986 foi expandido para outros países africanos.

As comunidades Green Belt Movement foram responsáveis pelo plantio de pelo menos 51 milhões de árvores no Quênia, desde seu surgimento! Isso trouxe para Wangari Maathai reconhecimento internacional, sendo convidada a participar de diversos conselhos em muitas organizações. Na ONU, foi convidada para se pronunciar em diversas oportunidades, falou em sessões especiais da Assembléia Geral, como na revisão de cinco anos da “Cúpula da Terra”. Ingressou também na política. Foi parlamentar no Quênia e integrou o Conselho de Honra do World Future Council. Em 2002 foi convidada para atuar como professora do Global Institute of Sustainable Forestry da Universidade Yale. No mesmo ano, nas primeiras eleições livres de seu país, concorreu e foi eleita membra do Parlamento queniano. Pelo terceiro presidente eleito no Quênia, Mwai Kibaki, em 2003, foi nomeada ministra do Ambiente, Recursos Naturais e Vida Selvagem e neste mesmo ano fundou o partido verde do Quênia.

Em 2004, Wangari Maathai recebeu o Prêmio Nobel da Paz tendo o comitê responsável pelo prêmio dito a respeito dela “Suas formas de ação únicas contribuíram para chamar a atenção nacional e internacional para a opressão política. Ela serviu como uma inspiração para muitos na luta por direitos democráticos e tem especialmente encorajado as mulheres a melhorar sua situação”. Cinco anos depois, em reconhecimento ao seu profundo compromisso com o meio ambiente, o Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, nomeou a professora Maathai como Mensageiro da Paz da ONU, com foco no meio ambiente e na mudança climática. Já em 2010, foi nomeada para o Grupo de Defesa dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio: um painel de líderes políticos, empresários e ativistas estabelecido com o objetivo de consolidar o apoio mundial para a realização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs). No mesmo ano, a professora tornou-se curadora do Fundo de Educação Ambiental da Floresta Karura, criado para proteger a terra pública cuja proteção ela lutou por quase vinte anos. Com a Universidade de Nairobi, fundou aos 70 anos, o Instituto Wangari Maathai para Estudos sobre Paz e Meio Ambiente (WMI). O WMI tinha o dever de reunir pesquisas acadêmicas — por exemplo, no uso da terra, silvicultura, agricultura, conflitos baseados em recursos e estudos sobre a paz — com a abordagem Movimento do Cinturão Verde e membros da organização. Wangari Maathai nos deixou em 25 de setembro de 2011 em decorrência de um câncer, aos 71 anos, em Nairobi. Porém sua vida e obra permanecem mudando vidas! Finalizo deixando uma de suas frases que resumiu seu entendimento sobre as ações humanas e altruísmo: “Os seres humanos passam tanto tempo acumulando, pisoteando, negando a outras pessoas. E, no entanto, quem são os que nos inspiram mesmo depois de mortos? Os que serviram aos outros, e não a si mesmos”.



Fontes

https://www.greenbeltmovement.org/wangari-maathai/biography

https://medium.com/revista-subjetiva/lute-como-uma-garota-wangari-maathai-a984c4ae7ae4

http://www.afreaka.com.br/wangari-maathai-e-o-movimento-do-cinturao-verde/

http://biosfera.org.br/wangari-maathai/

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/02/26/politica/1519672164_945082.html

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